Operação carne fraca no Brasil

No fim da última semana, o Brasil se deparou com mais um escândalo de corrupção que, dessa vez, atinge diretamente o food service. Deflagrada pela Polícia Federal, a operação Carne Fraca revelou que fiscais do governo federal – do Ministério da Agricultura – recebiam propina para liberar a comercialização de carnes contaminadas e ainda extorquiam empresários para realizar a liberação de licenças sanitárias.

Empresas como a JBS – que controla marcas como Friboi, Swift e Seara – e a BRF Brasil – detentora da Sadia e da Perdigão (entre outras) – e outros 19 frigoríficos menores estão envolvidos. Segundo o delegado responsável pelas investigações, Moscardi Grillo, há cerca de 40 pessoas jurídicas no esquema, que incluía venda de produtos vencidos, adulterados e com a embalagem modificada.

Esse é um setor importantíssimo para a economia, que movimenta cerca de US$ 12 bilhões por ano em exportação. O Brasil é o maior exportador de carne bovina do mundo e o segundo maior produtor.

Embora o governo esteja mobilizado para responder ao mercado internacional, ressalte que esse foi um problema pontual e garanta que não existem riscos para a saúde da população, só na capital mineira, o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Belo Horizonte e Região Metropolitana (Sindhorb-BH) já prevê para as próximas semanas uma queda de 20% no consumo de linguiça e carne de boi.

Para o setor de alimentação fora do lar, esse período exige cautela e muita atenção na hora de negociar com os fornecedores para garantir que a qualidade do produto final seja mantida. Pensando diretamente no cliente, talvez seja importante pensar em substituições.

Em momentos como esse é importante contar com uma solução que permita alterações no planejamento de cardápio. Se a ferramenta estiver sincronizada e for usada em sua totalidade é possível alinhar os produtos que estejam estocados para que novas compras não precisem ser realizadas.

E, mais que isso: é imprescindível que os colaboradores estejam preparados para responder todos os possíveis questionamentos quanto à procedência dos alimentos que estão sendo disponibilizados pelo restaurante e, assim, garantir a satisfação e a fidelização dos clientes.

Sobre a operação Carne Fraca

A investigação durou cerca de dois anos e teve como foco principal o Paraná, mas os desdobramentos alcançaram Estados como Santa Catarina e Goiás – onde foram encontradas uma série de irregularidades tanto na fabricação quanto na comercialização dos produtos. Nos últimos 60 dias, seis das 21 unidades investigadas teriam exportado produtos.

Foi constatado que eram usados ácidos e elementos cancerígenos, proibidos por lei, no intuito de maquiar o aspecto físico de alimentos vencidos e estragados. Para aumentar o peso dos cortes, algumas empresas injetavam água. Também foi citado pelo delegado casos de contaminação por bactérias que causam infecção em humanos e pode ser transmitida por alimentos – a famosa salmonela.

Nem a merenda escolar foi poupada: a investigação aponta que carnes processadas vendidas pelo Frigorífico Souza Ramos para escolas no Paraná, na verdade, eram proteína de soja.

Setor internacional

Ainda foram encontrados contêineres com produtos contaminados, que seriam exportados para a Europa. Inclusive, nesta segunda, a União Europeia exigiu que o Brasil suspenda a exportação de produtos das empresas investigadas na fraude. A China e o Chile também suspenderam temporariamente a entrada de carnes brasileiras, enquanto a Coreia do Sul voltou atrás na proibição que havia emitido quanto à carne de frango.

As autoridades da Jamaica recomendaram que a população não compre e não coma carne brasileira e decretou que os supermercados retirem das prateleiras os produtos bovinos. Hong Kong e o governo da Suíça também estão vetando as carnes brasileiras produzidas pelas empresas envolvidas na investigação.

Contornando o problema

Mesmo com o pronunciamento das autoridades, os consumidores se mostram receosos e a tendência é que fiquem ainda mais exigentes. É cedo para dimensionar os impactos dessa revelação nos hábitos alimentares dos brasileiros e, o consumidor que não abre mão da carne em seu dia a dia pode tomar algumas providências para garantir a qualidade do produto que será consumido pela família em casa.

Comprar em açougues de bairro ou que tenham abatedouros próprios é uma boa alternativa. Também é necessário ficar atento quanto à coloração, ao prazo de validade e ao cheiro da carne.

Além disso, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) sugeriu que, pelo menos por enquanto, os brasileiros evitem consumir produtos ultraprocessados – como nuggets, salsicha, linguiça e hambúrgueres – uma vez que, devido ao nível do processamento fica difícil avaliar os aditivos e notar, de fato, os problemas apontados pela Polícia Federal.