Com o aumento generalizado do preço dos grãos, sentimo-nos, todos nós – produtores ou participantes da cadeia produtiva de alimentos prontos, processados ou industrializados -, pressionados pela diminuição de nossos preços, independentemente do impacto que esses venham a causar no componente do custo final do produto. Afinal, com a somatória de reduções, o resultado tende a ser significante, evitando, com isto, o repasse do preço a nosso cliente ou ao consumidor final.
Aliados à fundamental negociação que deve ser feita pelos setores de compras de todas as empresas – e nesta hora um bom produto de e-procurement pode ajudar muito -, os controles de produção precisam estar cada vez mais afinados. Dessa forma, é possível evitar ao máximo pontos mais do que conhecidos como diminuidores de custos, como a diminuição de estoques, a negociação de preços por volumes, a automatização e a informatização da cadeia produtiva, a fim de garantir desvios mínimos e custos rígidos, fundamentais em tempos como o atual.

A resposta do governo ao cenário atual foi aumentar o imposto de importação de vários produtos, a começar pela batata. Se essa for de origem estrangeira, o imposto cobrado será praticamente o mesmo que de um carro: 25%. Vai resolver? Mesmo sabendo que a batata acumula alta de quase 25% em 12 meses e que nos últimos 30 dias subiu cerca de 5%, a barreira da Dilma vai aumentar mais ainda o preço. Como podemos acreditar que a Fazenda vai monitorar os preços – como quer nos tranquilizar o ministro Guido Mantega – se a SUNAB (algum leitor se lembra dela?) e o Conselho Interministerial de Preços já não existem mais? Como pode o governo querer elaborar algo tão antigo como o controle de preços que, no passado, muito nos prejudicou?

E para piorar, a grande maioria das batatas industrializadas brasileiras vem da Argentina. De todas as medidas tomadas pelo governo, a que realmente pode nos dar uma folga é a redução da energia, num pacote que promete quedas de até 28% da conta de luz das empresas. Neste ponto, ele nos faz acreditar que há uma luz no fim do túnel. É um efeito cascata, que alivia os produtores e fornecedores em diversos pontos produtivos. Importante saber: o corte acima representará uma diminuição de apenas 0,2% no custo de produção da batata frita. O setor alimentício pede mais. Ou será que nós, do setor de Food Service, teremos que mandar o governo plantar batata?