segunda sem carne

No último mês, os deputados estaduais de São Paulo aprovaram um projeto de lei que pretendia instituir a Segunda Sem Carne na maioria dos órgãos públicos do Estado – com exceção dos hospitais.

O assunto gerou muita polêmica e discussões nas redes sociais. De um lado ativistas vegetarianos ressaltavam os impactos ambientais e defendiam a causa animal. Do outro, representantes do agronegócio questionavam a ordem econômica do mercado.

No entanto, o texto aprovado pela Assembleia Legislativa precisava ser sancionado pelo governador Geraldo Alckmin – que em entrevista ao Canal Rural, anunciou no início dessa semana que irá vetar a proposta.

O tucano alegou que “embora bem intencionado, o projeto é equivocado, pois cerceia o direito das pessoas e desconsidera a capacidade de tomar decisões sobre sua própria alimentação”.

Como médico, Alckmin também ressaltou seria necessária uma campanha educativa para conscientização dos consumidores – que poderiam acabar substituindo a proteína por carboidrato e, com isso, aumentar o índice de obesidade.

Protocolada em fevereiro de 2016, a proposta de autoria do deputado Feliciano Filho (PEN) é baseada no movimento Segunda Sem Carne – que propõe a redução de consumo de carne.

De acordo com o texto, ficaria proibido o fornecimento de carnes e seus derivados às segundas-feiras, nas escolas da rede pública e nos estabelecimentos que fornecem refeições também nos órgãos públicos.

Além disso, bares, lanchonetes e restaurantes deveriam fixar em local visível um cardápio alternativo sem carne e derivados. Em caso de descumprimento, o projeto previa multa baseada em 300 Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesps) – o equivalente à mais de R$ 7.500.

Mesmo com veto, Segunda Sem Carne segue em expansão

Com o escândalo da Carne Fraca, que abalou fortemente o mercado e os estudos que têm sido divulgados referente aos impactos ambientais e também em relação à saúde da população, a cada dia o número de vegetarianos têm aumentado. Até mesmo entre os que fazem questão de consumir a proteína animal, a redução da ingestão de carnes têm sido perceptível.

Além das ações individuais, o movimento vegetariano tem ganhado apoio de órgãos públicos, ONGs, associações e personalidades que têm saído em defesa dos animais e do próprio planeta. A iniciativa Segunda Sem Carne foi lançada no Brasil em 2009 pela Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), com a proposta de convidar a população a trocar a proteína animal pela proteína vegetal.

Em maio de 2017, o Secretário de Administração Penitenciária do estado de São Paulo, Lourival Gomes, recebeu para uma audiência a SVB, a Humane Society International, e o Deputado estadual Roberto Tripoli. Na ocasião, foi apresentada uma proposta de implantação da Segunda Sem Carne e o seu grande potencial de gerar benefícios para o meio ambiente, para os animais e para a saúde dos detentos.

Em setembro do mesmo ano, a Secretaria comunicou que levou em consideração os dados apresentados e as 48 unidades penitenciárias da região central do Estado, com população carcerária de mais de 46.600 detentos, iniciaram o processo de mudança de cardápios, visando a redução do consumo de proteína animal.

Presente em mais de 40 países, a campanha Segunda Sem Carne alcançou 100 municípios de São Paulo, que estão implementando a merenda vegetariana nas escolas estaduais.

O processo começou em novembro de 2016, quando 210 escolas da capital iniciaram um cardápio sem carnes ou derivados uma vez a cada 15 dias. Após quase um ano, o programa foi estendido a toda a rede, gerando ganhos ambientais bastante significativos.

Diversos restaurantes da rede privada também adotaram a campanha em todo o país e, aqueles que não retiraram a proteína animal totalmente do cardápio às segundas-feiras, já fazem uma divulgação mais intensa das opções vegetarianas no cardápio.

Restaurantes têm investido na adaptação dos cardápios

Há alguns anos pesquisadores do mundo inteiro vêm alertando quanto a capacidade do planeta para manter os níveis elevados de produção. Além disso, os benefícios da dieta vegetariana tem sido reconhecidos por muitos especialistas da área da saúde.

E, o setor de alimentação fora do lar, já percebeu a mudança no comportamento do consumidor e, aos poucos, têm se adaptado para atender esse público crescente. Se antes era difícil encontrar opções sem carne nos cardápios, atualmente já é comum tanto pratos quanto restaurantes específicos nessa vertente.

Os gestores têm investido em adaptações nos cardápios e, também nesse momento, é essencial contar com softwares modernos que sejam capazes de suprir essa demanda – seja para restaurantes corporativos ou comerciais.